Site Survay para Conexão Celular
Este documento traz o procedimento de pesquisa em campo de sinal de rede celular, incluindo as redes GPRS (2G), HSPA (3G) e LTE (4G, Cat-M1, NBIoT).
Introdução
Para instalação de conjuntos de telemetria em locais afastados ou de baixa cobertura celular este manual indica um passo a passo para escolha da melhor alternativa, considerando tecnologia (2G, 4G, etc), operadora (Vivo, Claro, etc), frequência de uso (700 MHz, 1800 MHz, etc) e demais fatores como estabilidade do sinal e qualidade da transmissão.
Ainda que nem todos os passos sejam obrigatórios (ou possíveis de serem executados), este documento mostra o caminho ideal para alcançar uma transmissão de qualidade e com baixa manutenção.
Arcabouço conceitual
Visão geral — Redes celulares evoluíram de 2G (GSM), passando por 3G (UMTS/HSPA), 4G (LTE), até 5G (NR). Cada geração trouxe ganhos em taxa de dados, latência e capacidade. No Brasil, a Anatel destina e regula as faixas de espectro via o PDFF, e define cronogramas e obrigações de cobertura para as operadoras. Em 2024, a faixa 3,5 GHz foi “limpa” nacionalmente para ativação do 5G; em 2025, o PDFF foi atualizado, consolidando as bandas de uso móvel.
Tecnologias e capacidades por geração
- 2G (GSM/EDGE): voz e SMS; dados em baixa velocidade; bandas típicas 850/900/1800/1900 MHz.
- 3G (UMTS/HSPA): voz/dados com maior velocidade; bandas 850/900/2100 MHz.
- 4G (LTE): banda larga móvel; uso de agregação de portadoras e múltiplas bandas (700/850/1800/2100/2300/2600 MHz); LTE Advanced e “4.5G”.
- 5G (NR): maior velocidade e menor latência; faixas n78 (3,5 GHz), n40 (2,3 GHz), além de mmWave (26 GHz); operação DSS/NSA/SA conforme rede. Liberação da 3,5 GHz e lotes 2,3 GHz e 26 GHz ocorreram no leilão de 2021.
Espectro móvel no Brasil (macro visão)
• FDD (uplink/downlink separados): 700/850/900/1800/1900/2100/2600.
• TDD (uplink/downlink no mesmo canal): 2300/2500 TDD (subfaixas)/3500; NR n78 é TDD.
• Distribuição típica LTE: B28 (700) para cobertura, B3 (1800) e B7 (2600) para capacidade; B1 (2100) e B5 (850) como complementares; B40 (2300) em TDD.
Operadoras e suas bandas/tecnologias
- Vivo (Telefônica)
- 4G LTE: B28 (700), B3 (1800), B7 (2600), B1 (2100), B5 (850), B40 (2300).
- 5G NR: n78 (3,5 GHz); também n40 (2,3 GHz) em cenários de NR/DSS. A Vivo adquiriu 600 MHz em 26 GHz (mmWave) no leilão.
- Claro (América Móvil)
- 4G LTE: B28 (700), B3 (1800), B7 (2600), B1 (2100), B5 (850), B40 (2300).
- 5G NR: n78 (3,5 GHz); n40 (2,3 GHz) e, em algumas áreas, n7 (2600); comprou 400 MHz em 26 GHz. Foi pioneira no 5G DSS (NSA) em 2020.
- TIM
- 4G LTE: B28 (700), B3 (1800), B7 (2600), B1 (2100), B5 (850).
- 5G NR: n78 (3,5 GHz) (TIM ficou com 3500–3600 MHz); NR em n3/n7/n28 conforme implantação; mmWave regional em 26 GHz.
- Oi (legado móvel e MVNO/parcerias)
- 4G LTE: historicamente B3 (1800), B7 (2600) e em regiões B1 (2100); o mapa comercial segue referenciando 4G/4.5G. (Após a venda de clientela móvel, cobertura depende de acordos/MVNO.)
Bandas de 4G por operadora estão consolidadas em guias técnicos. [tecnoblog.net]
Complemento: há players regionais (Algar, Brisanet, Sercomtel, Unifique) com blocos específicos em 2,3/3,5/26 GHz e áreas de prestação delimitadas pela Anatel. [teleco.com.br], [mapadastorres.com].
Tabela — Bandas por operadora (síntese)
Observação: disponibilidade por cidade pode variar; consulte mapas e bases abertas.
|
Operadora |
4G (LTE) – Bandas principais |
5G (NR) – Bandas |
mmWave (26 GHz) |
|
Vivo |
B28, B3, B7, B1, B5, B40 [frequencycheck.com], [kimovil.com] |
n78, n40 (DSS/NR) [teleco.com.br] |
600 MHz nacionais (leilão 2021) [teleco.com.br] |
|
Claro |
B28, B3, B7, B1, B5, B40 [frequencycheck.com], [tecnoblog.net] |
n78, n40, n7; pioneira em 5G DSS [teleco.com.br], [tecnoblog.net] |
400 MHz nacionais [teleco.com.br] |
|
TIM |
B28, B3, B7, B1, B5 [tecnoblog.net] |
n78 (3500–3600 MHz), n3/n7/n28 conforme rede [teleco.com.br] |
blocos regionais/Sudeste-Sul [teleco.com.br] |
|
Oi |
B3, B7, B1 (legado) [oi.com.br], [tecnoblog.net] |
— |
— |
Recomendações práticas (IoT e dados corporativos)
- Escolha de banda:
- 700 MHz (B28/n28) → cobertura e penetração indoor (sensores em larga área).
- 1800/2600 MHz → maior capacidade (cidades, tráfego intenso).
- 3,5 GHz (n78) → baixa latência e throughput (aplicações avançadas).
Considerações finais
O arcabouço conceitual para transmissão de dados via rede celular no Brasil combina regulação de espectro (PDFF), evolução tecnológica (2G→5G) e estratégias operacionais das prestadoras (DSS/NSA/SA; cobertura vs. capacidade). Em projetos corporativos e IoT, a seleção de banda/operadora deve equilibrar alcance, capacidade, latência e disponibilidade local.
Ferramentas necessárias
- Microcomputador com acesso à internet
- Smartphone com os seguintes aplicativos (alguns somente na plataforma Android):
- Aquario Analyzer, da fabricante de antenas Aquario
- Network Cell Info
- Opensignal (opcional)
- SIM card de operadoras a serem testadas
Passo a Passo
Ainda que não seja obrigatório cumprir todas a etapas, seguir a sequência abaixo aumenta as possibilidades de êxito de uma boa comunicação.
Passo 1 – Planejamento
- Obter as coordenadas geográficas exatas do local de instalação.
Pode-se obter no local ou previamente com o auxílio de sites de mapas.
a.
Identificar
referências próximas do local:
b.
Acessar
sites com identificação de torres de celular [https://www.telecocare.com.br/mapaerbs/index.php]
– identificar
estado e cidade
– localizar os
pontos de referência
-localizar as
torres de celular próximas
Considerar:
a.
Distância
entre a estação e cada torre (ERB)
b.
Frequencia
da ERB (frequencias mais baixas têm mais alcance)
c.
Interferências
topográficas: morros, etc
No exemplo acima, a
ERB da Claro é mais perto, mas pode ficar prejudicada por morros na trajetória
do sinal.
Neste caso, os
sites das operadoras podem auxiliar, pois mostram a cobertura já
considerando o mapa de relevo:
Nesse caso, observamos o sinal da Claro prejudicado no ponto de análise.
Com base em todas as informações preliminares, identifique ERBs de operadoras próximas e considere, também, as mais afastadas como alternativas.
Passo 2 – Definição da frequência
Alguns sites, como o https://www.telecocare.com.br/mapaerbs/index.php indica o ID da ERB. Informações detalhadas da ERB podem ser obtinas no site da Anatel (https://sistemas.anatel.gov.br/se/public/view/b/licenciamento.php)
Basta colocar o ID obtido no primeiro e usa-lo como filtro no segundo:
O site da Anatel é bastante útil pois identifica o local, tipo de ERB e tecnologias e suas frequencias de uso:
No exemplo acima, observamos a disponibilidade de rede LTE (4G) em 700MHz, o que é muito bom, pois disponibiliza cobertura 4G com maior alcance e penetração (frequencia baixa).
A identificação da tecnologia e frequência permite selecionar dispositivos IoT compatíveis – não apenas os modems e remotas, mas antenas, amplificadores ou repetidores de sinal.
O app Aquario Analyzer identifica a frequência e sugere um modelo de repetido compatível:
Exemplo de rede 4G (LTE) em 2100 MHz
Tabelas de bandas e frequencias
2G (GSM)
|
Tecnologia |
Banda |
Frequência (MHz) |
Observação |
|
GSM |
850 |
824–849 UL / 869–894 DL |
Bandas A/B (uso histórico) |
|
GSM |
900 |
880–915 UL / 925–960 DL |
Extensão GSM |
|
GSM |
1800 |
1710–1785 UL / 1805–1880 DL |
Bandas D/E |
|
GSM |
1900 |
1850–1910 UL / 1930–1990 DL |
PCS (uso limitado) |
3G (UMTS/HSPA)
|
Banda |
Frequência (MHz) |
Operadoras |
|
B1 |
2100 |
Claro, TIM, Vivo, Oi |
|
B5 |
850 |
Claro, TIM, Vivo |
|
B8 |
900 |
Algumas regiões |
4G (LTE)
|
Banda |
Frequência (MHz) |
Intervalo UL/DL |
Operadoras |
|
B28 |
700 |
UL: 703–748 / DL: 758–803 |
Claro, TIM, Vivo |
|
B3 |
1800 |
UL: 1710–1785 / DL: 1805–1880 |
Claro, TIM, Vivo, Oi |
|
B7 |
2600 |
UL: 2500–2570 / DL: 2620–2690 |
Claro, TIM, Vivo, Oi |
|
B1 |
2100 |
UL/DL conforme 3G |
Claro, TIM, Vivo, Oi |
|
B5 |
850 |
UL/DL conforme 3G |
Claro, TIM, Vivo |
|
B40 |
2300 (TDD) |
2300–2400 |
Algumas operadoras (regional, ex.: Brisanet) |
Exemplo: se o APP (Network Cell Info) indicar Rede: LTE e Band: 7, como na figura abaixo, a frequencia em questão será de 2600MHz:
Passo 3 – Utilizando os APPs
A utilização de APPs em dispositivos móveis visa identificar condições reais de campo e a decisão final sobre:
a. Viabilidade ou não de canal celular;
b. Necessidade ou não de repetidor de sinal;
c. Tecnologia e frequência de rádio celular;
d. Necessidade ou não de antena direcional;
e. Apontamento correto da antena direcional.
Preparação
· Utilize um ou dois SIM cards da(s) operadora(s) a ser(em) avaliada(s);
· Identifique pelo APP que ambas as operadoras estão respondendo:
|
Claro |
Vivo |
|
|
|
Análise de disponibilidade
Para cada operadora, verifique quais as redes disponíveis e, para cada rede, a força do sinal:
a. No Aquario Analyzer:
b. No Network Cell Info:
Conferência
Quando disponível, os APPs mostram a localização das ERBs e as frequencias disponíveis, bem como a distância aproximada do aparelho com o APP até a ERB. Uma verificação pode ser feita com apoio do Google Maps + Street View:
Passo 4 – Definição da tecnologia, frequência e operadora
Uma vez identificado o melhor sinal, define-se a estratégia de uso. Ou seja, se necessário, utilize uma antena de ganho maior. Se persistir sinal fraco, opte por um amplificador de sinal.
Lembre-se que cada antena e repetidor e modem têm características específicas de uso com cada frequência. Ainda que alguns equipamentos sejam multi-frequências, convém confirmar no manual de cada dispositivo qual ou quais frequências/bandas ele atende.
Instalação
Para instalações especiais onde o sinal é fraco, observe as seguintes regras:
a. Uma antena direcional de alto ganho pode ser pior do que uma antena comum; Isso porque existem sinais reverberados por montanhas que podem induzir uma frequência secundária, pior do que a frequência principal.
b. Existem antenas direcionais de alto ganho que atendem várias frequências; outras não. Fique atento ao modelo usado.
c. Quando usar um repetidor de sinal, atente-se a:
a. Jamais usá-lo completamente em área aberta: o sinal repetido mistura-se ao sinal primário na antena direcional e causa interferência. Opte por instalar o repetidor (e a antena secundária) dentro de um Shelter ou caixa que separe os sinais primário e repetido.
b. Ajuste os pinos de configuração de atenuação, conforme orientação do manual do fabricante.
Pronto! Tomando os cuidados apresentados desde o planejamento até a instalação, a comunicação deverá ocorrer sem problemas. Mantenha atenção aos dias que seguirem à instalação através do monitoramento remoto via SCADAFlex.
Em caso de dúvida, entre em contato com nosso suporte técnico, através do endereço https://www.syspro.com.br ou atendimento@syspro.com.br .